segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O SURTO DO PRESIDENTE

Existe quase uma unanimidade quando se fala que o presidente Lula é um fenômeno na política nacional. Resultado da sua trajetória de luta como sindicalista e contra a ditadura militar. De origem pobre e sofrido, tornou-se metalúrgico, e com extrema habilidade sempre usou do seu carisma e o poder de comunicação para conquistar os objetivos. Sua história de vida e uma carreira política surpreendente, o credencia como um dos maiores líderes que o país já teve.

Uma popularidade altíssima e seu governo chegando a índices de aprovação, beirando os 80%, Lula ao subir no palanque de campanha para discursar, parece voltar no tempo e encarnar o líder sindical de outrora. Procura humilhar e arrasar seus adversários, ataca impiedosamente e destila toda sua ira contra os adversários, e assim acaba cometendo excessos, quase sempre exagerando na dose. Impressiona a capacidade do homem que ocupa o cargo de primeiro mandatário do País, em plena campanha eleitoral, ultrapassar os limites constitucionais.

Multado várias vezes por infringir a Lei eleitoral, Lula costuma tratar a questão com ironia e deboche. Como presidente da República, autoridade maior do país e guardião da Constituição Federal, deveria se apresentar, principalmente quando se trata de uma disputa presidencial, com discrição, ética, medindo as palavras e agir como estadista. Todavia, seu comportamento é bem outro, com discurso raivoso ameaça e incita o povo a extirpar um partido democraticamente constituído.

Parecendo que está atrás nas pesquisas, ele deixa transparecer um poço de ressentimentos. Até estourar o último grande escândalo, que derrubou a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, Lula dizia que todas as acusações feitas ao governo federal eram frutos de manobras eleitoreiras, produzidas pela oposição. A verdade veio à tona, rapidamente ele sentiu que o estrago foi grande e não poderia contemporizar com a gravidade dos fatos. Ministro-chefe da Casa Civil é o segundo cargo em importância dentro do Estado brasileiro.

O mesmo que aconteceu em 2005, quando o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afastado do cargo em meio ao esquema do mensalão, a nação espantada assiste hoje, mais uma vez a deprimente repetição de episódios deploráveis, que coloca em xeque o papel institucional do Poder Executivo do Brasil. Não foram os adversários, responsáveis pela queda da ministra, mas, fruto de uma investigação jornalística séria, calçada em provas e rica em detalhes, que desvendou mais esse vergonhoso escândalo.

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